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ROTA DOS TOCANTINS
A Rota
O Correio Aéreo Militar foi criado
em 1931 e dez anos mais tarde passou a ser chamado de
Correio Aéreo Nacional, o CAN, nome pelo qual
ficou conhecido em todo o Brasil e é lembrado
até hoje.Todos os vôos
partiam do Rio de Janeiro e muitas rotas eram percorridas
por seus pilotos - sendo a Rota do Tocantins a mais
importante delas. Para refazer esse trajeto e contar
a história desses aviadores, fundamentais para
o Brasil Central, tomou-se por base o livro Roteiro
do Tocantins, escrito pelo tenente Lysias Rodrigues
em 1931. O livro de Lysias descreve a epopéia
que foi a abertura da rota, e o primeiro vôo,
realizado em 14 de novembro de 1935, do Rio de Janeiro
ao Pará, passando por Luziânia, Formosa,
Cavalcante, Peixe, Paranã, Porto Nacional, Tocantínia,
Pedro Afonso, Carolina, Tocantinópolis, Imperatriz,
Marabá, Tucuruí, Baião, Cametá
e Belém.
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Principais
Cidades
Rio de Janeiro
São Paulo
Pirassununga
Ribeirão
Preto
Uberaba
Araguari
Ipameri
Luziania
Brasília
Formosa
Alto Paraiso
de Goiás
Cavalcante
Paranã
Porto Nacional
Tocantinia
Pedro Afonso
Carolina
Tocantinópolis
Imperatriz
Marabá
Tucuruí
Baião
Cametá
Belém
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O projeto inicial, que resultou no livro
Nas Asas do Correio Aéreo foi estrategicamente
dividido em três grandes etapas. Na primeira,
Tania Carvalho, junto com o piloto Tadeu Gobbi, pousou
em todas cidades da Rota buscando a memória do
CAN em livros, depoimentos e, principalmente, na lembrança
das pessoas. A maioria delas trouxe de volta nomes,
datas e fatos, como se até hoje os pilotos do
CAN ainda por lá pousassem. E assim provaram
que a história estava viva e merecia ser contada.
O fotógrafo Lalo de Almeida iniciou, a seguir,
sua primeira rodada de captura de imagens: um mês
a bordo do Maule (um monomotor), mostrando a visão
que os pilotos da época do CAN tinham do Brasil
- tanto do ar, quanto das pequenas cidades por onde
passavam, pernoitavam e mantinham estreitas relações
com as comunidades. São desta etapa visões
de tirar o fôlego como as de Chapada dos Veadeiros.
Mais importante ainda, Lalo de Almeida e o piloto Tadeu
Gobbi prepararam-se para a terceira e mais decisiva
fase da aventura: refazer, a bordo do Stearman, com
apoio de um segundo avião, o Maule, a Rota do
Tocantins.
O piloto Isio Bacaleinick, o grande
idealizador do projeto, decolou do Campo dos Afonsos,
no bairro de Marechal Hermes, no Rio de Janeiro, onde
funcionava a Escola de Aviação, nos anos
30 e fez diversos vôos pela cidade, de onde partiam
todos os aviões do CAN. Essa foi a introdução
da viagem, feita em abril. Sair pelo Brasil afora aconteceu
mesmo em junho, numa operação quase de
guerra, que exigiu muitas vezes o apoio da FAB.Viajar
pelo Brasil Central, seguir uma grande distância
com o Stearman implicou numa extensa e constante atenção
estratégica, já que a autonomia de vôo
do belo aviãozinho vermelho é de duas
horas e meia e as peças de reposição
não mais existem. Houve momentos de desespero
e de improviso, com pequenos acidentes e soluções
quase milagrosas.
Na missão, Lysias Rodrigues teve
como acompanhante o sargento Soriano Bastos. A viagem
durou quatro dias, os dois enfrentando tempestades e
pousos forçados, vendo pistas sendo abertas com
facões quase na hora da descida. O avião
era um Waco CSO monomotor, biplano, com dois comandos
e duas nacelas. O bagageiro era pequeno e mal dava para
acomodar a bagagem dos dois tripulantes, que podiam
até viajar com macacões, roupas mais confortáveis,
mas precisavam descer nas cidades impecáveis,
de farda, botas lustradas, como convinha a militares
na época. No entanto, era uma missão do
Correio Aéreo, a primeira numa região
completamente desprovida de comunicação,
e o bagageiro viajava repleto de jornais, revistas e
cartas. Além disso, uma caixa de ferramentas
era equipamento fundamental. Dentro dela, martelo, pregos,
chaves de fenda e alicates, além de tesoura,
agulhas e pedaços de tela, importantes para eventuais
reparos no motor ou no revestimento do avião,
todo de tela.
Eduardo Gomes, o criador do CAN, disputou
duas eleições com Getúlio Vargas.
Hoje é homenageado em Manaus, tendo o Aeroporto
Internacional de Manaus com o seu nome.

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